Eu, meus cabelos e minha cerveja
Outra sugestão para meus escritos, que acato com mucho gusto: mulheres e sua relação com os cabelos (próprios e das outras), uma coisa, assim, no mínimo, delicada. Os meus, por exemplo. Gosto deles, acho que são legais. Só que poderiam ser menos volumosos, ou com os cachos mais definidos. Poderiam não ficar horrorosos depois de uma ventania (seria a glória). Neste caso, a solução é prendê-los. Odeio o vento. Odeio as horas que passam e deixam meus cabelos feios, embora os homens ao meu redor jurem que não notam a diferença. Aposto que notam.
Para domá-los, lavo todos os dias, e com xampu e condicionador que hidratem bem. Penteio, apenas nessa hora. Passo um leave-in. Passo uma mousse modeladora, em seguida. Enxugo com a toalha, modelando os cachinhos. Daí por diante, NINGUÉM pode tocar nos meus cabelos até que eles sequem. Nem depois que secam, aliás. Porque senão eles ficam feios. Uma coisa tipo Gal Costa. Sempre achei aquele cabelo mulher-desquitada-nos-anos-80 horrível.
Cuido muito do cabelo, e só corto com pouquíssimos eleitos. Corto pouco, porque acho que fico mais bonita com o cabelo grandão. Médio também não presta – ou curto, ou enorme, senão fico feia. Não tenho a menor intenção de ficar feia, nem hoje, nem nunca. Quero ser uma velhinha lindinha. Minha amiga Anna Paula tem um cabelo lindíssimo, maravilhoso, e está inventando de cortar. Sou contra. Tô numa fase assembléia de Deus.
De vez em quando, vario, e faço uma escova. Fico bonita, gosto do resultado. Mas também gosto dos cachos, a versão preferida do meu maridón, que acha o liso “lambido”. Ele fica danado porque não pode tocar no meu cabelo. Nunca. E me chama de louca. Uma cabelereira queria me convencer a fazer escova inteligente. Não fiz. Inteligentes são as variações sobre o mesmo tema. No vento, prefiro segurar o cabelo do que a saia. Sei, estou quase surtando. Mas vale a pena, quando olho no espelho e acho que não estou parecida com a Gal Costa. Melhor é parecer comigo mesma.
