Tenho umas superstições, que não são tantas assim, mas me dão trabalho - ano após ano. Acho que casa desarrumada e não faxinada antes do fim do ano não presta - impede que as energias boas circulem, essas coisas que saem na revista Bons Fluidos. E fico louca querendo arrumar a bagunça de um ano inteiro em um ou dois dias. Nem tanto a minha bagunça, que dessa dou conta, mas a do povo da minha casa, cuja tendência irritante a ser um daqueles acumuladores protagonistas de programas de TV a cabo me tira do sério. Sobra pra mim, que quero tudo desobstruído para receber o ano novo. Quem manda?
Sempre tiro do armário roupas que não uso mais, tento jogar fora o máximo de coisas que dá, viro a louca da vassoura - mas a minha casa é um caso à parte. As tranqueiras brotam do chão e se multiplicam feito gremilins. É difícil. Na vida, a gente também precisa das nossa faxinas. Limpar a área pra permitir que chegue o novo - novo e bom, diga-se, porque uma coisa não é sinônimo da outra. Tomara que as novidades, então, sejam as melhores, e que a gente tenha a sabedoria necessária pra entender os momentos das passagens, das transições, das mudanças.
As rotas conhecidas são as mais seguras. As desconhecidas são emocionantes e descortinam possibilidades impensadas. A ver lo que pasará ;)
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Horizontes
Certa vez, há um tempão atrás, resolvi que queria estudar de novo, que queria estudar mais, que queria até mesmo ser forçada a estudar - uma situação em que acredito muito, porque se nos fosse dada a opção de fazer só o que a gente realmente quer fazer, o tempo todo, no mundo... Imagina só a porcaria que sairia dessa história. Viveríamos como a minha gata Maltine, o ser vivo mais folgado que há. A existência dela é uma beleza, mas não é exatamente produtiva, e não agrega lá muito valor à vida no planeta. Bom, se considerarmos a cadeia alimentar ou, sendo mais boazinha, a função social/afetiva dos pets... Há muito tempo que gatos e cachorros mandaram às favas essa conversa de cadeia alimentar, inclusive. Mas essa é uma outra história.
Voltando ao tema: conhecimento é esforço. Ninguém amplia repertório só assistindo ao The Voice. É preciso dedicar um tempo para querer saber das coisas, e sem estudar, estudar em um sentido mais amplo, a gente emburrece e nem percebe. Estava falando com um amigo um dia desses sobre o sentido e a importância da educação, e discutíamos o fato de que as pessoas, senso comum e dado medido por pesquisas, não costumam enxergá-la como uma necessidade prioritária. O povo fala de saúde, de buraco, de trânsito... Educação não aparece no ranking. Argumentei com ele: "claro. As pessoas não estão se educando como deviam, por isso não conseguem ver que precisam se educar". O raciocínio é circular, e é óbvio.
Quanto mais sabemos, mais queremos saber. Neste momento, ando assim com o flamenco. Estudei, estudei - e descobri que não sei nem a metade do que gostaria de saber. Reconheci que meu repertório é insuficiente, pelo menos para o grau que pretendo atingir. Não é profissão, é paixão - e por isso mesmo, merece ser levada muito a sério. Assim sendo, decidi estudar mais. Vou buscar na fonte, para dançar mais bonito, e principalmente para dançar com cada vez mais prazer, e tentar atingir o nível que considero justo e decente. Fim das contas, a gente só faz com alegria (pelo menos eu) quando sabe o que está fazendo.
Voltando ao tema: conhecimento é esforço. Ninguém amplia repertório só assistindo ao The Voice. É preciso dedicar um tempo para querer saber das coisas, e sem estudar, estudar em um sentido mais amplo, a gente emburrece e nem percebe. Estava falando com um amigo um dia desses sobre o sentido e a importância da educação, e discutíamos o fato de que as pessoas, senso comum e dado medido por pesquisas, não costumam enxergá-la como uma necessidade prioritária. O povo fala de saúde, de buraco, de trânsito... Educação não aparece no ranking. Argumentei com ele: "claro. As pessoas não estão se educando como deviam, por isso não conseguem ver que precisam se educar". O raciocínio é circular, e é óbvio.
Quanto mais sabemos, mais queremos saber. Neste momento, ando assim com o flamenco. Estudei, estudei - e descobri que não sei nem a metade do que gostaria de saber. Reconheci que meu repertório é insuficiente, pelo menos para o grau que pretendo atingir. Não é profissão, é paixão - e por isso mesmo, merece ser levada muito a sério. Assim sendo, decidi estudar mais. Vou buscar na fonte, para dançar mais bonito, e principalmente para dançar com cada vez mais prazer, e tentar atingir o nível que considero justo e decente. Fim das contas, a gente só faz com alegria (pelo menos eu) quando sabe o que está fazendo.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Sobre o tempo e a perda de tempo
Li numa revista muito instrutiva que Mercúrio estava retrógrado até o dia 11/11 e que, portanto, até esta data, toda comunicação entre os seres estaria fadada ao fracasso. Aproveitei para adiar as conversas complicadas, uma vez que, mesmo sendo meio cética, não sou besta. As conversas não conversadas, entretanto, costumam achar uma brecha na agenda, mesmo que você esteja muito, muito ocupado. Aí, depois da conversa, descobre-se que tudo poderia ter sido bem mais simples do que foi. Oh, God. E compreende-se que o tempo, este elemento tão escasso na natureza dos dias contemporâneos, perdeu-se pelo caminho. O consolo é que, enfim, as coisas se resolvem, de um jeito ou de outro. Bom é quando elas se resolvem do melhor jeito, né não? O amor e o bem querer nunca falham.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Sexta-feira santa
Na sexta-feira passada, início da noite, bailaoras se encontraram para fazer algo diferente de ensaiar (que é só o que a gente faz na vida - quando não está trabalhando - neste período do ano). Fomos, naturalmente, debater sobre iniciativas flamencas que iremos empreender juntas. Antes mesmo de começarmos a listar as promessas tradicionais de ano novo, as promessas flamencas foram postas à mesa (do bar em que estávamos). E eis que já temos uma viagem marcada, para Madri, com uma paradinha básica em Sevilha, que ninguém é de ferro. Antes, porém, estaremos juntas em Porto Alegre, a bailar com Farruco. Antes ainda um pouquinho, tem o curso de Talegona, que é pra ir acordando o duende. Todas ricas, que é como a gente fica quando bebe. Confraria é isso - e é do bem. O único senão foi o efeito colateral no sábado, dia de ensaio, o dia todo. Sextas-feiras, a partir de agora, são todas santas.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Farruco
Quem dança flamenco, sabe: nada é igual a beber na fonte. Raízes importam, sim, e muito. Flamenco é terra, é chão, é força. Acho que por isso sempre me impactaram tanto as aulas com o povo roots da Espanha - dos cursos que já fiz, e já foram vários, os mais importantes, os que me tiraram do eixo, foram os de Rafaela Carrasco e Carmem la Talengona. Duas gigantes, talentosíssimas. Um sentido para cada movimento e, mesmo assim, com elas a técnica nunca falava mais alto que a emoção. Bonito de ver, emocionante, daquela emoção que sobe pra pele, e arrepia a gente, faz chorar. Desta vez, pela primeira vez, encontrarei-me com um bailaor, homem - espanhol, cigano, nascido e criado numa família de artistas flamencos. O talento dele é resultado de trabalho e dedicação, sim, mas vem de mais longe. Quem o vê dançar enxerga a linha evolutiva de quem nunca ignorou a tradição para ser o que é: um bailarino contemporâneo.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Sick
Estou com a maior dor de cabeça que já tive na vida. No momento, consigo escrever aqui porque estou meio dopada por um monte de analgésicos, mas ainda assim dói tudo. Cabeça, pescoço, olhos, ombros, costas, mandíbula, fronte. Não sei o que é, mas acho que uma benzedeira ajudaria. Minha avó, quando eu era criança, benzia os netos. Quando estávamos com olhado, segundo vovó Anita, o galhinho de planta que ela usava pra passar por cima do nosso corpo murchava.
Tenho a impressão de que se ela fizesse isso hoje, eu faria murchar uma palmeira. Uma sensação horrível. Pensei em coisas trágicas, não nego. Ainda estou pensando - credo. Dor é um efeito colateral muito triste da nossa condição de vivos. Sou resistente, demoro a tomar remédios, mas dessa vez tudo está um tom acima. A última vez que me lembro de ter sentido dor por um tempo tão estendido foi quando entrei em trabalho de parto da minha primeira filha. Puxado, puxadíssimo.
Quero minha sanidade de volta.
Tenho a impressão de que se ela fizesse isso hoje, eu faria murchar uma palmeira. Uma sensação horrível. Pensei em coisas trágicas, não nego. Ainda estou pensando - credo. Dor é um efeito colateral muito triste da nossa condição de vivos. Sou resistente, demoro a tomar remédios, mas dessa vez tudo está um tom acima. A última vez que me lembro de ter sentido dor por um tempo tão estendido foi quando entrei em trabalho de parto da minha primeira filha. Puxado, puxadíssimo.
Quero minha sanidade de volta.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
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