segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sobre o tempo e a perda de tempo

Li numa revista muito instrutiva que Mercúrio estava retrógrado até o dia 11/11 e que, portanto, até esta data, toda comunicação entre os seres estaria fadada ao fracasso. Aproveitei para adiar as conversas complicadas, uma vez que, mesmo sendo meio cética, não sou besta. As conversas não conversadas, entretanto, costumam achar uma brecha na agenda, mesmo que você esteja muito, muito ocupado. Aí, depois da conversa, descobre-se que tudo poderia ter sido bem mais simples do que foi. Oh, God. E compreende-se que o tempo, este elemento tão escasso na natureza dos dias contemporâneos, perdeu-se pelo caminho. O consolo é que, enfim, as coisas se resolvem, de um jeito ou de outro. Bom é quando elas se resolvem do melhor jeito, né não? O amor e o bem querer nunca falham.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sexta-feira santa

Na sexta-feira passada, início da noite, bailaoras se encontraram para fazer algo diferente de ensaiar (que é só o que a gente faz na vida - quando não está trabalhando - neste período do ano). Fomos, naturalmente, debater sobre iniciativas flamencas que iremos empreender juntas. Antes mesmo de começarmos a listar as promessas tradicionais de ano novo, as promessas flamencas foram postas à mesa (do bar em que estávamos). E eis que já temos uma viagem marcada, para Madri, com uma paradinha básica em Sevilha, que ninguém é de ferro. Antes, porém, estaremos juntas em Porto Alegre, a bailar com Farruco. Antes ainda um pouquinho, tem o curso de Talegona, que é pra ir acordando o duende. Todas ricas, que é como a gente fica quando bebe. Confraria é isso - e é do bem. O único senão foi o efeito colateral no sábado, dia de ensaio, o dia todo. Sextas-feiras, a partir de agora, são todas santas.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Farruco

Quem dança flamenco, sabe: nada é igual a beber na fonte. Raízes importam, sim, e muito. Flamenco é terra, é chão, é força. Acho que por isso sempre me impactaram tanto as aulas com o povo roots da Espanha - dos cursos que já fiz, e já foram vários, os mais importantes, os que me tiraram do eixo, foram os de Rafaela Carrasco e Carmem la Talengona. Duas gigantes, talentosíssimas. Um sentido para cada movimento e, mesmo assim, com elas a técnica nunca falava mais alto que a emoção. Bonito de ver, emocionante, daquela emoção que sobe pra pele, e arrepia a gente, faz chorar. Desta vez, pela primeira vez, encontrarei-me com um bailaor, homem - espanhol, cigano, nascido e criado numa família de artistas flamencos. O talento dele é resultado de trabalho e dedicação, sim, mas vem de mais longe. Quem o vê dançar enxerga a linha evolutiva de quem nunca ignorou a tradição para ser o que é: um bailarino contemporâneo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Sick

Estou com a maior dor de cabeça que já tive na vida. No momento, consigo escrever aqui porque estou meio dopada por um monte de analgésicos, mas ainda assim dói tudo. Cabeça, pescoço, olhos, ombros, costas, mandíbula, fronte. Não sei o que é, mas acho que uma benzedeira ajudaria. Minha avó, quando eu era criança, benzia os netos. Quando estávamos com olhado, segundo vovó Anita, o galhinho de planta que ela usava pra passar por cima do nosso corpo murchava.

Tenho a impressão de que se ela fizesse isso hoje, eu faria murchar uma palmeira. Uma sensação horrível. Pensei em coisas trágicas, não nego. Ainda estou pensando - credo. Dor é um efeito colateral muito triste da nossa condição de vivos. Sou resistente, demoro a tomar remédios, mas dessa vez tudo está um tom acima. A última vez que me lembro de ter sentido dor por um tempo tão estendido foi quando entrei em trabalho de parto da minha primeira filha. Puxado, puxadíssimo.

Quero minha sanidade de volta.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Toda nudez será pentelhada

Nunca mais passei por aqui. Faltou tempo; faltou inspiração. Resolvi voltar, animei-me novamente com a escrita e com as reflexões verbalizadas, que as não-verbalizadas jamais me abandonam - ainda bem. Mais uma vez, os temas femininos (ou feministas) me mobilizam. A culpa não é minha, é do mundo que insiste em não mudar. Saco esse negócio do povo patrulhando os pelos da Nanda Costa. Tony Ramos vive mostrando seu belíssimo torso ultra peludo por aí e ninguém abre a boca pra chamá-lo de porco. Sim, porque houve quem acusasse a menina de "porca" só porque ela não fez uma depilação estilo bebê recém nascido. Ai, meus sais.

Já disse isso a alguns próximos, mas agora não sei mais se tenho a mesma opinião. Como não nasci rica, infelizmente, a minha possibilidade de enriquecer é bem restrita. Não tenho nenhuma intenção de roubar nada nem ninguém - portanto, esse caminho não me serve. O caminho do casamento por interesse também não rola. Loteria, muito improvável, já que jogo só na mega sena da virada, no fim do ano. Através do suor e do trabalho, xi... Só na próxima vida, que sou jornalista. Com muito prazer e orgulho, mas não serei rica, fato.

Havia um caminho bom, caso a Playboy me descobrisse, que era posar nua. Achava, na minha doce ilusão, que era o dinheiro mais fácil de ganhar do mundo. Tira a roupa, faz umas fotos, enche a carteira. Simples. Era, antigamente. Hoje, é o maior estresse que há - tem que malhar, botar silicone, fazer lipo, depilar assim ou assado. E tudo pra mostrar peito, bunda e xoxota. Novidade mesmo, nenhuma. Com photoshop e tudo, as meninas peladas estão sendo mais julgadas que os réus do mensalão. Quero mais não. Conformei-me com a pobreza, fazer o quê?

terça-feira, 25 de junho de 2013

As mulheres, os homens e as danças em par

Já escrevi outras vezes sobre as diferenças na relação de homens e mulheres com algumas coisas e situações  típicas dos universos de gênero. Futebol, menstruação, choro e não sei mais o quê foram temas de posts neste blog. Desta vez, palpitam em minha mente comentários e análises acerca da dança em casal, que difere sobremaneira no entendimento de machos e fêmeas.

A maioria das mulheres que conheço gosta de dançar. Ponto. Dançar simplesmente, sem impor para a dança um significado outro que não seja mexer o corpo ao som de música. Para as danças em casal, a lógica é exatamente a mesma, com a ressalva de que, se você gosta e tem aptidão para o baile, melhor coisa do mundo é dividir a pista com quem está na mesma sintonia.

Estive numa festa de São João onde havia bailarinos profissionais contratados para dançar com as moças convidadas. Arrisco dizer que é das ideias mais geniais de todos os tempos desde a invenção da máquina de lavar roupas - a pessoa dança com quem sabe o que está fazendo, não aperreia ninguém e ainda se diverte muito, muitíssimo. Nas danças de salão, faz toda a diferença um parceiro que saiba conduzir - o potencial das mulheres que gostam e têm jeito pra coisa é explorado em toda a sua magnitude.

Para os homens, a dança é, mais das vezes, uma forma de aproximação, um jeito de encostar o corpo naquela cidadã que lhes chamou a atenção. Por isso, nem sempre eles entendem que o fato da gente querer dançar com completos estranhos resume-se só e simplesmente à excelência do bailado destes senhores-exímios-bailarinos. Não queremos nada mais que isso - a dança é maior que as pulsões, ora bolas. Pra mim, pelo menos, é.