segunda-feira, 17 de junho de 2013

Girl Power

Me dano quando dizem que entre mulheres não há solidariedade, que as mulheres só competem entre si, que não se gostam de verdade, blá, blá, blá. Sempre achei esse um discurso machista, disseminado mundo afora por homens que preferem que as mulheres não se unam, porque é claro que, juntas, temos mais força. E sim, precisamos de força, precisamos ser gregárias, porque o mundo é ainda muitíssimo desigual. Nunca vi ninguém chegar em lugar nenhum como grupo sem agir coletivamente. Os nossos problemas mais graves são os problemas de todas as mulheres, basicamente. Quem não enxerga isso, sorry, é cego, burro ou pilantra mesmo - ou seja, não enxerga porque encontra vantagens em não enxergar.

Essas reflexões me surgem a partir do happy hour da última sexta-feira, que compartilhei com meninas de quem gosto demais e a quem eu quero muito bem; e da entrevista que li com Daniela Mercury e Malu Verçosa. Elas comentavam sobre o fato de a intolerância quanto às escolhas sexuais das pessoas estar muito vinculada ao machismo histórico que nos engole cotidianamente. É incrível observar que, por mais que briguemos contra, por mais que o nosso discurso doméstico diga o contrário, nossas crianças absorvem e reproduzem atitudes sexistas, mesmo que elas sejam meninas - o mundo faz isso com elas.

Insisti peremptoriamente com minha teenager girl que Taylor Swift não é uma pessoa sem caráter porque namorou vários meninos que depois do fim do namoro ficaram perdidos de amor por ela. Foi difícil argumentar com ela que os carinhas das boy bands não eram coitadinhos dilacerados por uma monstra sem coração - falei que os rapazes estavam ali por vontade própria. e que os relacionamentos terminaram como terminam os relacionamentos, talvez de forma um pouquinho mais dramática e rápida porque, afinal, eram namoros adolescentes. Certa hora, ela disse: "ah, mãe, tá bom de tanto feminismo". Pra quê? Falei mais meia hora. Tá bom nada. Não percorremos nem metade do caminho ainda.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A mocinha da Hering

Precisava comprar um presente pra minha sobrinha, que faz aniversário amanhã, e dei uma passada no Tacaruna na hora do almoço. Depois de comer rapidinho, entrei na loja de brinquedos, fiz a compra, levei uns relógios pra consertar (dizem que relógio parado em casa é um perigo; quem sou eu pra ir de encontro a essas certezas justo no mês de junho?). Antes de ir embora, passei na frente da Hering, e vi uma saia longa - não era exatamente do jeito que eu queria, mas como estou meio louca pra comprar uma saia longa, perguntei se tinha tamanho P para a mocinha vendedora.

Tinha uma P, mas estava pendurada. Roupa de malha, pendurada num cabide desses que marcam, compro não. Sorry, lojistas. Perguntei à mocinha se havia alguma peça no estoque - e ela super me entendeu, registrou na hora que o problema era a roupa estar meio marcada e esticada. Ela subiu, demorou um século, e voltou dizendo que não tinha. Eu perguntei se havia outra estampa, enfim, outra possibilidade. Ela subiu de novo, e voltou com a mesma saia pendurada, que eu tinha visto ela pegar, inclusive, dentro de um saco, dizendo: "achei".

Fiquei passada com a cara de pau. Peguei a saia, olhei pra ela e disse: "meu amorzinho, essa é a mesma saia que eu disse a você que não queria. Obrigada, mas com você não compro mais nada". Ainda fiquei achando depois que eu devia ter chamado a gerente dela pra registrar minha indignação, mas depois pensei que talvez seja essa a orientação dada pela própria (gerente) às vendedoras. Pelo menos ela podia ter sido mais discreta, né? Pela madrugada. Sou idiota não, minha filha. Sorte a dela que eu não estava a fim de exercer meu direito ao protesto. Protesto anda muito na moda demais, tenho pânico dessa energia da boiada, que nunca há de dominar a minha vida.

Hering do Tacaruna, entretanto... Não verá mais o meu suado dinheirinho.

domingo, 9 de junho de 2013

Nuvem

Uma vez escrevi, a respeito das comemorações relacionadas aos 100 anos de morte de Machado de Assis (acho que o mote era esse), sobre como podemos inviabilizar a nossa comunicação interpessoal, mesmo falando a mesma língua e comungando do mesmo código cultural. Refletia então sobre como às vezes as pessoas se perdem umas das outras por não conseguirem dizer, por dizerem de forma equivocada, por serem mal entendidas.

Há teóricos da linguística que defendem um ponto de vista radical - dizem eles que a comunicação não existe. Os falantes dizem o que querem ou o que acham que querem; os ouvintes entendem como podem. No meio dessa confusão, estaríamos todos conversando com nossas próprias pequenas ou grandes loucuras. Temo que esta análise não esteja assim tão distante da realidade. Como é difícil tratar de temas sérios sem agredir, em algum momento do discurso, ainda que esta não seja absolutamente a sua intenção.

Mais difícil ainda é não interpretar a fala do outro, e eventualmente sentir-se ofendido por ela; mesmo que este outro esteja buscando consenso e entendimento. O problema é que queremos, todos, o entendimento segundo o que consideramos bom e justo, e esta premissa é pessoal e intransferível. A subjetividade presente nos textos, em quaisquer textos, é tão imensa que me parece impossível dizer, de forma exata, aquilo que pretendemos. Porque o interlocutor vai entender do jeito dele, do jeito que ele consegue - do jeito que ele deseja.

E aí, quando fala o desejo, ficamos todos mudos.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Fundamentalismos e fundamentalistas

Não posso conceber que alguém que trabalhe com comunicação assuma posturas monológicas, parafraseando a linguística. Falar sozinho, me parece, ou é coisa de ditador ou de doido. Estes últimos, respeito muito mais, aliás. Mas a doidice tem que ser legítima pra eu gostar, viu, pessoal? Doido que só é doido pra se dar bem e não rasga dinheiro, no fundo, no fundo, de doido mesmo não tem nada.

Eliminada a possibilidade da doidice real, sobra o fundamentalismo de ocasião. Delírios de senhor de engenho, acostumado a dar ordens e vê-las obedecidas sem questionamentos, aguento não. Não vim pra esta vida pra desperdiçar meu precioso tempo com discussões inócuas, muito menos pra "obedecer" aos desígnios de quem se acha detentor dos saberes do mundo. A discussão é válida quando serve a um propósito, não quando se transforma em queda de braço com o único objetivo de afirmar as "razões" absolutistas de alguém.

Engraçado que estas reflexões surjam a partir de um ambiente que se propõe a debater e trabalhar pelos "direitos humanos". Engraçado mesmo.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Coisas bestas, supérfluas e deliciosas

Depois de passar uns dias envolta em uma atmosfera densa, resolvi que já era tempo de pegar mais leve. Comecei desde ontem, assistindo às dicas de maquiagem da linda/fofa Julia Petit no GNT, e aprendi umas tantas coisinhas bem interessantes pra passar sombra com mais desenvoltura. Lembrei logo de Luisa, que vai casar e adora maquiagem, e de Dani, minha amiga blogueira cada dia mais bombante na rede. De Dani Lima e seu batom russian red da Mac e de Sued e sua fineza na hora de adquirir produtos de pintar o rosto. Não dá pra viver sem isso, girls.

Continuei hoje, fazendo umas comprinhas no shopping na hora do almoço; coisa pouca, só porque eu estava mesmo precisando. Das roupas e da diversão agregada ao ato de comprá-las. Já na hora de voltar, enquanto eu tomava um picolé saia e blusa da Frisabor, leio uma mensagem enigmática no celular  e, ao retornar à labuta, passo um tempo descontraindo a partir da informação recebida. Senti-me um pouco má, mas não pude evitar.

Break no trabalho just now. Fofocarei com meus companheiros, e depois retomamos a vida na reunião do São João 2013 que acontece logo mais às 17h. Olha pro céu, meu amor.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Travessia

Dizem os horóscopos (sim, meu povo, aquele negócio que fala de signos e ascendentes) que a nossa existência é determinada por ciclos. Que há um tempo para as coisas, tempo este que não dá para apressar, nem atrasar. Não acho muito justa essa visão meio fatalista da trajetória humana, até porque isto nos retiraria da condição de seres pensantes, capazes de escrever nossos próprios caminhos e alterá-los, caso necessário. Mas que em algum lugar está determinado o espaço do imponderável, do imprevisível - ok, destino, para quem acredita nele - está. Não sei onde, nem se ele é fruto dos movimentos dos astros ou dos desígnios de alguma divindade. Fato é que estruturamos a vida sob as bases das rotinas, porém vivemos segundo os fatos surpreendentes que aqui e ali nos atropelam. E vamos nos adaptando, criaturas metamórficas que somos. Na natureza, são estes os que sobrevivem - alguma outra explicação para o domínio do homo sapiens sobre o planeta? Bom, pelo menos a gente acha que domina. Até nisso, poderemos ser surpreendidos dia desses, caso um evento do tipo Planeta dos Macacos venha a surgir no horizonte. Sou tão cética que não duvido de nada.


domingo, 12 de maio de 2013

Viva Daniela

Desde muito antes dela virar musa do movimento homossexual e tendência, eu já curtia Daniela Mercury. Desde "swing da cor". Desde que fui a um show dela há uns bons 18 anos, até hoje registrado na memória como um dos melhores que já vi na vida. A considero, dentro do gênero que ela abraçou, a melhor - Daniela faz música pra dançar, e se esta premissa não se traduz em sofisticação (no sentido mais literal da palavra), não significa dizer que sua arte é menor, ou conduzida com menos cuidado. E quem disse que música de dançar é menos do que outros tipos de música? Quase me traio, logo eu, uma bailarina convicta.

Só sei que foram três horas de um show incrível, levado com a energia de sempre. Estou completamente arrasada - fisicamente - e feliz da vida. As pernas, os pés, os braços, a cintura e o pescoço doem (eita, sobrou alguma coisa?), mas o espírito está leve, levíssimo. Tenho pra mim que precisamos destes momentos de absoluta desconexão com as coisas ditas importantes pra poder levar a existência de um jeito bom. Não me parece justo que seja diferente - e acho triste quando alguém só lê livros e vê filmes cabeça, só faz coisas cabeçudas e só conversa cabecices. Às vezes, a vida pede que a gente seja superficial, besta e despreocupado.

O show foi tudo de bom, como vocês podem perceber.