Uma vez escrevi, a respeito das comemorações relacionadas aos 100 anos de morte de Machado de Assis (acho que o mote era esse), sobre como podemos inviabilizar a nossa comunicação interpessoal, mesmo falando a mesma língua e comungando do mesmo código cultural. Refletia então sobre como às vezes as pessoas se perdem umas das outras por não conseguirem dizer, por dizerem de forma equivocada, por serem mal entendidas.
Há teóricos da linguística que defendem um ponto de vista radical - dizem eles que a comunicação não existe. Os falantes dizem o que querem ou o que acham que querem; os ouvintes entendem como podem. No meio dessa confusão, estaríamos todos conversando com nossas próprias pequenas ou grandes loucuras. Temo que esta análise não esteja assim tão distante da realidade. Como é difícil tratar de temas sérios sem agredir, em algum momento do discurso, ainda que esta não seja absolutamente a sua intenção.
Mais difícil ainda é não interpretar a fala do outro, e eventualmente sentir-se ofendido por ela; mesmo que este outro esteja buscando consenso e entendimento. O problema é que queremos, todos, o entendimento segundo o que consideramos bom e justo, e esta premissa é pessoal e intransferível. A subjetividade presente nos textos, em quaisquer textos, é tão imensa que me parece impossível dizer, de forma exata, aquilo que pretendemos. Porque o interlocutor vai entender do jeito dele, do jeito que ele consegue - do jeito que ele deseja.
E aí, quando fala o desejo, ficamos todos mudos.
domingo, 9 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Fundamentalismos e fundamentalistas
Não posso conceber que alguém que trabalhe com comunicação assuma posturas monológicas, parafraseando a linguística. Falar sozinho, me parece, ou é coisa de ditador ou de doido. Estes últimos, respeito muito mais, aliás. Mas a doidice tem que ser legítima pra eu gostar, viu, pessoal? Doido que só é doido pra se dar bem e não rasga dinheiro, no fundo, no fundo, de doido mesmo não tem nada.
Eliminada a possibilidade da doidice real, sobra o fundamentalismo de ocasião. Delírios de senhor de engenho, acostumado a dar ordens e vê-las obedecidas sem questionamentos, aguento não. Não vim pra esta vida pra desperdiçar meu precioso tempo com discussões inócuas, muito menos pra "obedecer" aos desígnios de quem se acha detentor dos saberes do mundo. A discussão é válida quando serve a um propósito, não quando se transforma em queda de braço com o único objetivo de afirmar as "razões" absolutistas de alguém.
Engraçado que estas reflexões surjam a partir de um ambiente que se propõe a debater e trabalhar pelos "direitos humanos". Engraçado mesmo.
Eliminada a possibilidade da doidice real, sobra o fundamentalismo de ocasião. Delírios de senhor de engenho, acostumado a dar ordens e vê-las obedecidas sem questionamentos, aguento não. Não vim pra esta vida pra desperdiçar meu precioso tempo com discussões inócuas, muito menos pra "obedecer" aos desígnios de quem se acha detentor dos saberes do mundo. A discussão é válida quando serve a um propósito, não quando se transforma em queda de braço com o único objetivo de afirmar as "razões" absolutistas de alguém.
Engraçado que estas reflexões surjam a partir de um ambiente que se propõe a debater e trabalhar pelos "direitos humanos". Engraçado mesmo.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Coisas bestas, supérfluas e deliciosas
Depois de passar uns dias envolta em uma atmosfera densa, resolvi que já era tempo de pegar mais leve. Comecei desde ontem, assistindo às dicas de maquiagem da linda/fofa Julia Petit no GNT, e aprendi umas tantas coisinhas bem interessantes pra passar sombra com mais desenvoltura. Lembrei logo de Luisa, que vai casar e adora maquiagem, e de Dani, minha amiga blogueira cada dia mais bombante na rede. De Dani Lima e seu batom russian red da Mac e de Sued e sua fineza na hora de adquirir produtos de pintar o rosto. Não dá pra viver sem isso, girls.
Continuei hoje, fazendo umas comprinhas no shopping na hora do almoço; coisa pouca, só porque eu estava mesmo precisando. Das roupas e da diversão agregada ao ato de comprá-las. Já na hora de voltar, enquanto eu tomava um picolé saia e blusa da Frisabor, leio uma mensagem enigmática no celular e, ao retornar à labuta, passo um tempo descontraindo a partir da informação recebida. Senti-me um pouco má, mas não pude evitar.
Break no trabalho just now. Fofocarei com meus companheiros, e depois retomamos a vida na reunião do São João 2013 que acontece logo mais às 17h. Olha pro céu, meu amor.
Continuei hoje, fazendo umas comprinhas no shopping na hora do almoço; coisa pouca, só porque eu estava mesmo precisando. Das roupas e da diversão agregada ao ato de comprá-las. Já na hora de voltar, enquanto eu tomava um picolé saia e blusa da Frisabor, leio uma mensagem enigmática no celular e, ao retornar à labuta, passo um tempo descontraindo a partir da informação recebida. Senti-me um pouco má, mas não pude evitar.
Break no trabalho just now. Fofocarei com meus companheiros, e depois retomamos a vida na reunião do São João 2013 que acontece logo mais às 17h. Olha pro céu, meu amor.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Travessia
Dizem os horóscopos (sim, meu povo, aquele negócio que fala de signos e ascendentes) que a nossa existência é determinada por ciclos. Que há um tempo para as coisas, tempo este que não dá para apressar, nem atrasar. Não acho muito justa essa visão meio fatalista da trajetória humana, até porque isto nos retiraria da condição de seres pensantes, capazes de escrever nossos próprios caminhos e alterá-los, caso necessário. Mas que em algum lugar está determinado o espaço do imponderável, do imprevisível - ok, destino, para quem acredita nele - está. Não sei onde, nem se ele é fruto dos movimentos dos astros ou dos desígnios de alguma divindade. Fato é que estruturamos a vida sob as bases das rotinas, porém vivemos segundo os fatos surpreendentes que aqui e ali nos atropelam. E vamos nos adaptando, criaturas metamórficas que somos. Na natureza, são estes os que sobrevivem - alguma outra explicação para o domínio do homo sapiens sobre o planeta? Bom, pelo menos a gente acha que domina. Até nisso, poderemos ser surpreendidos dia desses, caso um evento do tipo Planeta dos Macacos venha a surgir no horizonte. Sou tão cética que não duvido de nada.
domingo, 12 de maio de 2013
Viva Daniela
Desde muito antes dela virar musa do movimento homossexual e tendência, eu já curtia Daniela Mercury. Desde "swing da cor". Desde que fui a um show dela há uns bons 18 anos, até hoje registrado na memória como um dos melhores que já vi na vida. A considero, dentro do gênero que ela abraçou, a melhor - Daniela faz música pra dançar, e se esta premissa não se traduz em sofisticação (no sentido mais literal da palavra), não significa dizer que sua arte é menor, ou conduzida com menos cuidado. E quem disse que música de dançar é menos do que outros tipos de música? Quase me traio, logo eu, uma bailarina convicta.
Só sei que foram três horas de um show incrível, levado com a energia de sempre. Estou completamente arrasada - fisicamente - e feliz da vida. As pernas, os pés, os braços, a cintura e o pescoço doem (eita, sobrou alguma coisa?), mas o espírito está leve, levíssimo. Tenho pra mim que precisamos destes momentos de absoluta desconexão com as coisas ditas importantes pra poder levar a existência de um jeito bom. Não me parece justo que seja diferente - e acho triste quando alguém só lê livros e vê filmes cabeça, só faz coisas cabeçudas e só conversa cabecices. Às vezes, a vida pede que a gente seja superficial, besta e despreocupado.
O show foi tudo de bom, como vocês podem perceber.
Só sei que foram três horas de um show incrível, levado com a energia de sempre. Estou completamente arrasada - fisicamente - e feliz da vida. As pernas, os pés, os braços, a cintura e o pescoço doem (eita, sobrou alguma coisa?), mas o espírito está leve, levíssimo. Tenho pra mim que precisamos destes momentos de absoluta desconexão com as coisas ditas importantes pra poder levar a existência de um jeito bom. Não me parece justo que seja diferente - e acho triste quando alguém só lê livros e vê filmes cabeça, só faz coisas cabeçudas e só conversa cabecices. Às vezes, a vida pede que a gente seja superficial, besta e despreocupado.
O show foi tudo de bom, como vocês podem perceber.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Futebol, esse estranho movimento
Não foi por falta de tentativa, mas eu nunca consegui entender esse fascínio que o povo, particularmente os rapazes, têm pelo futebol. É tudo muito estranho - a alegria, a tristeza, a euforia, a depressão. Os meninos matam e morrem por causa desse negócio, e tudo o mais se perde numa aura de desimportância absoluta quando se trata do time do coração. Inclusive, nós, mulheres. E eu não cultivo nenhuma raiva relacionada, pelo contrário - o futebol (em geral) deixa os homens felizes, e homens felizes não enchem o meu, o seu, o nosso saco. Registre-se que eles ficam particularmente bem quando jogam futebol, e rasgando-se de alegria quando jogam bem. Eufóricos quando os demais reconhecem que eles jogaram bem.
Eis que os rapazes-colegas-de-trabalho iniciaram uma pelada às segundas-feiras. Desde então, as terças têm sido luxo só. Divirto-me horrores ao ouvir as histórias dos dribles, faltas e afins, contadas com direito a lances dramáticos mais que interessantes. Coincidentemente, eles jogam no mesmo lugar onde eu danço, e hoje estaremos dividindo o ambiente. Uma parte pro flamenco, outra para o futebol. Vale registrar que nosso saudável ambiente de trabalho contaminou-se com a nova prática, e estabeleceram-se novos parâmetros de admiração, além de empoderamentos muito originais. O cabra que joga bem ganha status e respeito dos demais, e vira, assim, uma espécie de ser sagrado.
Não resistirei e darei uma espiadinha, obviamente. Depois faço meu relato ;)
Eis que os rapazes-colegas-de-trabalho iniciaram uma pelada às segundas-feiras. Desde então, as terças têm sido luxo só. Divirto-me horrores ao ouvir as histórias dos dribles, faltas e afins, contadas com direito a lances dramáticos mais que interessantes. Coincidentemente, eles jogam no mesmo lugar onde eu danço, e hoje estaremos dividindo o ambiente. Uma parte pro flamenco, outra para o futebol. Vale registrar que nosso saudável ambiente de trabalho contaminou-se com a nova prática, e estabeleceram-se novos parâmetros de admiração, além de empoderamentos muito originais. O cabra que joga bem ganha status e respeito dos demais, e vira, assim, uma espécie de ser sagrado.
Não resistirei e darei uma espiadinha, obviamente. Depois faço meu relato ;)
terça-feira, 9 de abril de 2013
Fantasticamente imbecil
Será possível que só eu tenha percebido o nível acachapante de imbecilidade agregado àquele novo quadro do Fantástico - "Mundo sem Mulheres"? A premissa é de um machismo do tempo das cavernas. Nem Jece Valadão faria parecido. É assim: as moças saem de "férias" da família (eu só tiro férias do meu trabalho; afinal, meu marido não é meu chefe) e os caras têm que "se virar". Ou seja, dar banho e comida para as crianças, um jeitinho na casa... Toda a lógica diz respeito às tarefas domésticas, que são consideradas "femininas". Não tenho palavras para descrever a irritação que me dá ao ver aquilo ali. O programa reforça os estereótipos, infantiliza os homens, idiotiza as mulheres. É de um atraso injustificável. Nessas horas, tenho vergonha da indústria do falso jornalismo, que confunde informação com entretenimento de baixa qualidade e nenhum nível de reflexão válida. Lixo puro.
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