terça-feira, 21 de maio de 2013

Travessia

Dizem os horóscopos (sim, meu povo, aquele negócio que fala de signos e ascendentes) que a nossa existência é determinada por ciclos. Que há um tempo para as coisas, tempo este que não dá para apressar, nem atrasar. Não acho muito justa essa visão meio fatalista da trajetória humana, até porque isto nos retiraria da condição de seres pensantes, capazes de escrever nossos próprios caminhos e alterá-los, caso necessário. Mas que em algum lugar está determinado o espaço do imponderável, do imprevisível - ok, destino, para quem acredita nele - está. Não sei onde, nem se ele é fruto dos movimentos dos astros ou dos desígnios de alguma divindade. Fato é que estruturamos a vida sob as bases das rotinas, porém vivemos segundo os fatos surpreendentes que aqui e ali nos atropelam. E vamos nos adaptando, criaturas metamórficas que somos. Na natureza, são estes os que sobrevivem - alguma outra explicação para o domínio do homo sapiens sobre o planeta? Bom, pelo menos a gente acha que domina. Até nisso, poderemos ser surpreendidos dia desses, caso um evento do tipo Planeta dos Macacos venha a surgir no horizonte. Sou tão cética que não duvido de nada.


domingo, 12 de maio de 2013

Viva Daniela

Desde muito antes dela virar musa do movimento homossexual e tendência, eu já curtia Daniela Mercury. Desde "swing da cor". Desde que fui a um show dela há uns bons 18 anos, até hoje registrado na memória como um dos melhores que já vi na vida. A considero, dentro do gênero que ela abraçou, a melhor - Daniela faz música pra dançar, e se esta premissa não se traduz em sofisticação (no sentido mais literal da palavra), não significa dizer que sua arte é menor, ou conduzida com menos cuidado. E quem disse que música de dançar é menos do que outros tipos de música? Quase me traio, logo eu, uma bailarina convicta.

Só sei que foram três horas de um show incrível, levado com a energia de sempre. Estou completamente arrasada - fisicamente - e feliz da vida. As pernas, os pés, os braços, a cintura e o pescoço doem (eita, sobrou alguma coisa?), mas o espírito está leve, levíssimo. Tenho pra mim que precisamos destes momentos de absoluta desconexão com as coisas ditas importantes pra poder levar a existência de um jeito bom. Não me parece justo que seja diferente - e acho triste quando alguém só lê livros e vê filmes cabeça, só faz coisas cabeçudas e só conversa cabecices. Às vezes, a vida pede que a gente seja superficial, besta e despreocupado.

O show foi tudo de bom, como vocês podem perceber.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Futebol, esse estranho movimento

Não foi por falta de tentativa, mas eu nunca consegui entender esse fascínio que o povo, particularmente os rapazes, têm pelo futebol. É tudo muito estranho - a alegria, a tristeza, a euforia, a depressão. Os meninos matam e morrem por causa desse negócio, e tudo o mais se perde numa aura de desimportância absoluta quando se trata do time do coração. Inclusive, nós, mulheres. E eu não cultivo nenhuma raiva relacionada, pelo contrário - o futebol (em geral) deixa os homens felizes, e homens felizes não enchem o meu, o seu, o nosso saco. Registre-se que eles ficam particularmente bem quando jogam futebol, e rasgando-se de alegria quando jogam bem. Eufóricos quando os demais reconhecem que eles jogaram bem.

Eis que os rapazes-colegas-de-trabalho iniciaram uma pelada às segundas-feiras. Desde então, as terças têm sido luxo só. Divirto-me horrores ao ouvir as histórias dos dribles, faltas e afins, contadas com direito a lances dramáticos mais que interessantes. Coincidentemente, eles jogam no mesmo lugar onde eu danço, e hoje estaremos dividindo o ambiente. Uma parte pro flamenco, outra para o futebol. Vale registrar que nosso saudável ambiente de trabalho contaminou-se com a nova prática, e estabeleceram-se novos parâmetros de admiração, além de empoderamentos muito originais. O cabra que joga bem ganha status e respeito dos demais, e vira, assim, uma espécie de ser sagrado.

Não resistirei e darei uma espiadinha, obviamente. Depois faço meu relato ;)


terça-feira, 9 de abril de 2013

Fantasticamente imbecil

Será possível que só eu tenha percebido o nível acachapante de imbecilidade agregado àquele novo quadro do Fantástico - "Mundo sem Mulheres"? A premissa é de um machismo do tempo das cavernas. Nem Jece Valadão faria parecido. É assim: as moças saem de "férias" da família (eu só tiro férias do meu trabalho; afinal, meu marido não é meu chefe) e os caras têm que "se virar". Ou seja, dar banho e comida para as crianças, um jeitinho na casa... Toda a lógica diz respeito às tarefas domésticas, que são consideradas "femininas". Não tenho palavras para descrever a irritação que me dá ao ver aquilo ali. O programa reforça os estereótipos, infantiliza os homens, idiotiza as mulheres. É de um atraso injustificável. Nessas horas, tenho vergonha da indústria do falso jornalismo, que confunde informação com entretenimento de baixa qualidade e nenhum nível de reflexão válida. Lixo puro.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Mundo, vasto mundo

Falava agora com uma amiga que acaba de chegar de São Paulo. Ela dizia sobre o quanto gostou da viagem, o quanto acha que seria feliz vivendo por lá - também acho São Paulo uma delícia. Gosto do fato de já ter ido lá tantas vezes, e de me sentir meio "pertencendo" à cidade, de conhecer seus caminhos, muito embora não seja um conhecimento, assim, profundo.

Bien, mas é conhecendo superficialmente que a gente se apaixona, afinal. Ano passado, apaixonei-me pelo Rio, só pra não deixar de ser que nem todo mundo. Quem não se apaixonaria, afinal? O Rio é lindo, vistoso,  envolvente, sexy. Dois chopes, e pronto - você já está no papo. São Paulo é mais sóbria, mais discreta - precisa de um olhar mais demorado pra gente se encantar por ela. Porém, suscita afetos duradouros.

Escrivinhando aqui porque ando com muita saudade de ambas - e cada uma tem de mim um tipo de saudade diferente. As cidades são como as pessoas - nem sempre é fácil entendê-las, mas nem por isso você deixa de gostar delas. Vou voltar. Aguardem-me, moças.

terça-feira, 19 de março de 2013

Mundo, estranho mundo

O mundo acabou. Essa é uma das frases mais repetidas por Nina Lemos, minha repórter/escritora favorita, que escreve na minha não menos favorita revista feminina - a TPM. O pior é que ela tem razão, e descubro isso todos os meses quando sou atualizada pela publicação sobre as coisas mais bizarras que acontecem no planeta, particularmente do planeta das mulheres.

Alguém aí poderia imaginar. em um sítio onde a terceira guerra mundial ainda não começou, que tem moça nos EUA (tinha que ser) cujo desejo de vida é ter uma vagina igual à da Barbie? Sim, sim, isso existe. Causo é que eu comprei já inúmeras Barbies para as minhas crianças e não me consta que elas tivessem uma (vagina). Na minha concepção, significa dizer que estas moças querem, pela ordem:
- uma xoxota pelada (means sem pelo nenhum, igual a de um bebê recém nascido);
- uma xoxota fechada (colada, sem abertura nenhuma, nem para o xixi. Pra que serve isso, minha gente?);
- uma xoxota asséptica (sem cheiro, sem textura, sem nada. Pela madrugada - é só que tenho a dizer).

Alcancei não. Qual é a proposta? Fato é que o povo americano anda fazendo uma tal de "plástica íntima", que deixa as vaginas femininas mais "discretas". Oi???? Agora deu. Acho que o fato de andarmos vestidas por aí já é discrição mais que suficiente. E ainda dizem que não tenho razão em ser feminista - existe uma prova mais contundente que precisamos do feminismo mais que nunca? Até na xoxota alheia a indústria da pasteurização e da estupidez quer mandar.

Esses cirurgiões deviam ir pra cadeia, e estas mulheres que plastificam suas vaginas, pro hospício. Valha-me.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sobre radicais e moderados

Nunca fui uma pessoa radical - tenho até certa dificuldade em assumir afirmativas categóricas para a minha vida, mesmo quando elas se fazem necessárias. Sempre, ou nunca, parecem a mim tempo demais. Deve ser por isso que não professo nenhuma religião, nem tenho time do coração - acho todo mundo que caminha estes caminhos meio dramático demais, meio over, sei lá. Sei que, em algumas situações, as pessoas precisam do tudo ou nada, até para estarem vivas - como no caso de um vício, por exemplo. Mas, como sou viciada só em flamenco, e mesmo assim uma viciada saudável (hahaha), abstenho-me dos extremos, e ando aí pelo caminho do meio. Talvez eu seja uma criatura que equilibra-se em cima do muro, fazer o quê? Não acho que só uma das partes têm razão, na maior parte das vezes. Ok... Quando discuto com my husband, acho que apenas eu tenho razão. Peraí também, né? Ainda sou alguém quase normal ;)