quarta-feira, 8 de junho de 2011

A muié sequelada

Como diz um primo meu que é surfista, tô toda sequelada (sem trema mesmo, já que os gramáticos deram cabo dele). Depois do início dos ensaios intensivos, doem, pela ordem: joelho direito; planta do pé esquerdo, dedões e dedinhos, coluna, músculos dos ombros, pescoço, coxas, pulso direito. Quase que entendo o arrastado do pobre (pobre?) do Ronaldo fenômeno, que parecia mais um boi indo pro matadouro que um ex-atleta naquele jogo de ontem. O fato é que não dá pra ser atleta e/ou bailarino sem se machucar, sem ter pelo menos umas lesõesinhas pra chamar de suas. Ossos do hobby, que não é ofício, no meu caso.

Además, estou ficando nervosa, e isso faz com que meu bruxismo e minha tensão nos ombros piorem. Amanheci com dor de cabeça. Hoje tem ensaio - e quando não tem? - e eu estou querendo ficar parada o máximo de tempo que conseguir pra guardar as energias pra logo mais. Trabalhar sentada, em minha mesinha, o quanto der, até porque tenho mesmo zilhões de coisas pra fazer em frente ao meu computador. Odeio errar na hora do espetáculo, e por isso fico mega tensa antes de entrar no palco. Ainda mais que a primeira coreografia é nossa, bailaremos sem a maestra, e eu bailo logo na frente, e estou de vermelho, bem espetaculosa. Se eu errar, já viu - todo mundo vê.

Bom, seja o que Deus quiser.

Cartunistas - Mudando radicalmente de tema, estávamos eu e Clero assistindo à entrevista de Angeli e Laerte à Marília Gabriela. Como Clériston os conhece, a coisa toda ficou ainda mais interessante. Eu costumo dizer que os cartunistas mais gatos do Brasil são meu maridón e Angeli, e meu caro companheiro responde que não deixará jamais que conversemos (eu e Angeli) a sós por muito tempo. Nada a ver, a preocupação é desnecessária, of course. Mas, não dá pra negar que os braços bonitos, a cara de inteligente e as camisetas pretas do pai da Rê Bordosa são um charme. Naturalmente, Clero é hours concours. Bom.

Laerte agora inventou de só se vestir de mulher, todo mundo já sabe. Ele é adepto do cross dressing, seja lá o que isso queira dizer. O que não conseguimos entender é porque ele só se veste de tia velha - vestidos horrendos, cabelo idem, sapatos de um mau gosto de dar dó. Ele poderia pelo menos ser uma mulher gostosinha, custava? Com roupichas modernas, caprichadas. Mas não, o visual é de chorar. O bichinho tá precisando urgente de uma consultoria de moda. Pena que os salões de humor pernambucanos não estão mais sendo realizados, porque eu adoraria ver essa pessoa de perto de novo e tentar dar umas dicas, assim, como quem não quer nada.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Papo em família

Não sei se toda família é igual, mas a minha protagoniza papos incríveis. Estávamos eu, marido e nossas filhotas almoçando no sábado. O casal discutia sobre o que fazer no dia dos namorados (abolimos sair de casa na data há tempos pra não pagar aqueles micos clássicos), e se iriam comprar presentes um pro ou outro ou não, enfim. Aí, marido falou que o melhor presente seria que eu escrevesse um texto dizendo como é viver com ele. Romântico esse homem.

Júlia, nossa mais velha, saiu com essa: "já sei o que mamãe vai dizer - 'viver com você é ter que filosofar o tempo todo'", referindo-se ao jeitão do pai, que é adepto do metódo socrático de educação. Clériston então ficou todo feliz por ter reconhecida sua metodologia - "adorei, Ju! Finalmente alguém definiu exatamente a minha pessoa!". Alice, que estava caladinha, fez a contribuição definitiva ao assunto em questão - "pai, era pra ser um insulto!". Rimos que só, of course.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

De volta, ufa

Saudades do meu blog... Depois de um ciclo quase concluído, inicio outro que terminará no dia 18. Falo do meu espetáculo, tema ao mesmo tempo agradável e provocador de apreensão. O causo é que é a primeira vez que vamos dançar ao som de cante flamenco de verdade. Ou seja, teremos uma cantora (cantaora) que colocará voz em seus cantes, que não são os que estamos acostumadas a dançar. Teremos que nos adaptar, de acordo com os tipos de baile, ao que ela trouxer.

Significa que o ouvido vai ter que funcionar como nunca, senão perde-se o compasso e a coisa toda se desmantela. E a muié só chega três dias antes do show... Meda. Com os músicos já temos certa afinidade, mas não sabemos qual é a da cantora. A ver. Enquanto isso, vou tentar recuperar o ensaio perdido de ontem, já que o dia do meio ambiente me impediu de ir encontrar com a minha turma de bailaoras guapas.

Casa nova - mais um impasse em minha vida, já não bastando os demais outros que se acumulam diariamente. Tô achando que esse ano de 2011 veio meio amarrado, precisando de uma sessão de descarrego. Seis meses do ano, e ainda não consegui fechar uma equipe de trabalho e uma mudança! Vôte. Tava até pensando em ir na cartomante de uma amiga, mas depois que a tal disse que era eterno um casamento que durou pouco mais de um ano... Desisti. E agora ando tendo DRs com pessoas nunca dantes imaginadas, logo eu que ODEIO DR. Nem com meu marido, o que seria justo e eventualmente necessário, acho que as DRs precisam ser frequentes. Enfim - meu saco está prestes a explodir. Ainda bem que hoje vou dançar.

Voltando à mudança, o drama agora é com a caixa econômica. Quartos prontos, cozinha pronta, escritório pronto. Mas ainda não podemos nos mudar porque nosso comprador do ap atual está esperando a grana da caixa pra nos pagar. A casa está ficando fofíssima, mas infelizmente meu humor hoje não favoreceu um olhar mais carinhoso com obra, sujeira, quebradeira, homens horríveis e suados encostando em minhas paredes novas...

A despeito de algumas opiniões a meu respeito, hoje eu queria ter sido um pouco mais homem, com menos TPM, menos sensibilidade, mais objetividade. Doida pra sair logo pro flamenco. Hoje vou castigar o tablado.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Coisas do Recife e da vida

Ontem, ao voltar do Ipsep, entre 21h30 e 22h, tive que enfrentar, no mínimo, três rios pra chegar em casa. Na Imbiribeira, os ônibus passavam por mim e eu me sentia dentro de uma cachoeira, sem o glamour correspondente. Depois, entrei em Afogados, e outro rio caudaloso se formava embaixo do metrô. O povo parava e não sabia se ia ou vinha - eu, doida pra chegar em casa, já estava arretada com aquela história, e passei no meio do rio. Se eu fosse um tantinho mais frouxa, tinha começado a chorar. Mas só pensava na comida e no banho que me esperavam, e meti o carro na água.

Aquela escuridão, Afogados embaixo dágua. E eu sozinha lá no meu carrinho.Tô besta como o Recife não aguenta chuva. Duas horas de temporal, e o mundo se acaba. Vôte. Mais adiante, cheguei na Madalena, e outro rio me aguardava no caminho. Mais uma vez, o povo parado no meio da rua, engarrafando minha existência já tão engarrafada. Com qual objetivo, posso saber? Esperar a água baixar até de manhã? Motorista no Recife age de maneira muito estranha, às vezes. Fui embora, e enfim cheguei na Torre, que estava surpreendentemente seca.

Em casa, aleluia, e decidida a dar a volta por Boa Viagem quando tiver ensaio em dia de chuva.

Alhos para Bugalhos - mudando de tema radicalmente, vi hoje um negócio numa revista que me intrigou sobremaneira. Um "copinho" coletor de menstruação, feito de silicone, ecologicamente correto e esquisitamente coloridinho. Pessoas da vanguarda européia passaram a usar esse treco em seus períodos mentruais sob a alegação de que os absorventes degradam a natureza. O causo é que o negócio não é descartável, e a pessoa tem que ficar jogando o sangue fora várias vezes ao dia. Depois lava e bota de volta. Fala sério, há limites para a consciência ecológica, minha gente.

Rapazes de 20 - amiga minha relata a experiência de ter ficado com um rapazinho recém saído das fraldas. Aos 21, disse ela, o menino tinha uma desenvoltura insuspeita. No meu tempo, as coisas não eram assim - meninos de 20 e poucos eram pobres coitados tentando descobrir o que fazer com tudo aquilo. Bom, mas também, as crianças hoje andam precoces por demais. Como eu, aos 20 e poucos, já estava em vias de casar com alguém de 40, nada sei sobre esse processo evolutivo. Mas ouço os relatos, que não me parecem exagerados. Sorte a das meninas de 20, e principalmente das de 30, que agora podem ampliar seu campo de atuação, tal qual os rapazes já fazem. Sempre soube que a igualdade entre os sexos ia findar acontecendo de verdade.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Espetáculo

Palavras de husband ao enviar-me este desenho:
"Linda, formosa, graciosa, sensual, serena, adorável,
cheirosa, movimentos, corpo, gosto muito de tudo".
 Eu discordo do tamando da bunda, mas ele
afirma veementemente que fez o desenho baseado
 numa foto. Sei não.
E eis que minha professora de baile manda email avisando: "teremos espetáculo dia 18 de junho! Muito trabalho meninas, que temos que aprontar as coreografias da bulería, do martinete, a sevilhana de leques, o fandango de Yara, além de ensaiar os bailes que já temos". Um mês daqui pra lá, e o jeito que tem pra isso tudo ficar pronto e bonito é ensaiar que só o cão. Com a rotina da minha vidinha do jeito que está, terei que encarar ensaios até as 11 da noite, sábado de manhã, sábado de tarde. A vantagem é que estes momentos intensivos sempre dão uma sacudida no grupo, ajudam a aprimorar nossa técnica e nossa desenvoltura, nem que seja no susto. Dançar tem mais graça com a perspectiva do palco, e minha alma de artista amadora fica muito feliz com esse movimento todo. Ontem já estivemos juntas, marcando as primeiras coreografias. Cheguei em casa às 23h, depois de discutir figurino, palco, músicos, horários de ensaio. Karina passou pela primeira vez para o grupo todo as sevilhanas com leques, e deu pra encarar direitinho, basta limpar ao longo dos ensaios. Foda é a bulería, rápida demais, complicada demais, forte demais, ó, céus. Estamos bem no tango, bem na sevilhana de cortes, razoáveis no martinete (que se dança com uma bengala). O fandango temos que relembrar todo. Haja perna e juízo. Eu, que andava meio incomodada com uma certa celulitezinha nos glúteos, devo minimizar o problema com essa atividade intensiva. Bueno.

O espetáculo será no Teatro Apolo, dia 18/06, numa iniciativa do Instituto Cervantes. Creio que é aberto ao público, e ainda não sei a hora em que começa. Depois dou os detalhes, e de antemão convido todo mundo pra estar lá. Meu amigo Maurício, que tanto reclamou das condições do último show, terá a chance de nos ver num local decente desta vez. Olé, minha gente.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Transparência

Clareza ou falta de. Transparência, que é ver através, transpassar. Ser o que se é. Ponto. Há momentos em que ser transparente pode ser um problema. Até os porteiros do seu ambiente de trabalho, nesse caso, podem compartilhar, à sua revelia, detalhes sobre seu cotidiano.

Paciência. Tem quem viva a vida em cores, subindo e descendo, mantendo uma trajetória de nuances, dúvidas, questionamentos. E quando o inconstante joga no time da clareza, pode até parecer que é doido e arrastar por aí, como consequência, opiniões a granel. E o sujeito pode até ser mesmo doido, afinal. A tal sanidade é privilégio de poucos - de perto, então...

Tem quem tenha foco, viva reto, sem dispersão, sem dúvidas. Deve ser bom, ter todas as certezas. Tem quem saiba disfarçar, dizer uma coisa querendo dizer outra, mostrar só um pouquinho de si. Deve ser bom conseguir ser discreto, constante, equilibrado. Deve ser bom saber sempre o que vem depois.

Quem está no time da transparência só sabe jogar com o que está explícito, posto, já que os não ditos findam morrendo por inanição. Adivinhar é um exercício que custa muito esforço, quase sempre contraproducente. Só sei do que me contam, todo o resto é conjectura e possibilidade. De mim, é fácil saber - basta perguntar. Ou nem isso.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Aguardando

Compasso de espera - eita, coisa chata! Logo eu, agoniadinha da peste, ando esperando por um monte de coisas bem mais do que eu gostaria. Espero pra por em prática minha energia, meus planos. Espero minha casa nova, minha viagem, minha equipe, meus contratos, espero a chuva passar. Espero a mudança pra começar minha rotina de exercícios, na nova vida que virá. Espero a minha sobrinha que vai nascer, espero as camas que comprei no site do wall mart, espero as minhas férias, vencidas há um tempão. Espero pelos papéis do cartório, pelo cara que vai consertar o freezer, pela conclusão do doutorado e pelo pedido de casamento. Espero pelo NEC, pela casa civil, pela Dellano, espero no trânsito.

A parte boa é que, com tantas frentes em aberto, daqui por diante deverei ter um monte de histórias com finais felizes pra contar.