Vinicius de Moraes sempre me emociona, a despeito de toda a farofa em seu entorno. Suas andanças pela música popular, deliciosas, causaram tantas distorções, tantos entendimentos precários, descontextualizados. Pena. Porque Vinicius é gênio na tradução dos sentimentos, na sensibilidade com que reproduz vivências, sensações, afetos, delírios. Tão humano, tão cheio de defeitos. Feito a gente.
Olha só que lindo. Foi Vini quem escreveu:
Carne
Que importa se a distância estende entre nós léguas e léguas
Que importa se existe entre nós muitas montanhas?
O mesmo céu nos cobre
E a mesma terra liga nossos pés.
No céu e na terra é tua carne que palpita
Em tudo eu sinto o teu olhar se desdobrando
Na carícia violenta do teu beijo.
Que importa a distância e que importa a montanha
Se tu és a extensão da carne
Sempre presente?
sexta-feira, 12 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Há males...
Nem tudo que parece é, diz a sabedoria popular. Particularmente, nem tudo que parece ruim, é de fato ruim. Falo isso porque estou adorando, neste momento, ouvir o CD de Otto. "Certa manhã acordei de sonhos intranquilos" é o título do bichinho.
O CD é massa. Diz ele, o próprio Otto, que o trabalho, de certa forma, acompanhou a sua separação da ex Alessandra Negrini. As músicas são um reflexo claro desta circunstância - e a fossa do galego terminou se transformando em um catalizador maravilhoso de criatividade e sensibilidade.
Tem uma música que diz assim: "Quando eu perdi você/ganhei a aposta". Quer mais? Lá vai: "e até pra morrer/você tem que existir". Ui.
O CD é massa. Diz ele, o próprio Otto, que o trabalho, de certa forma, acompanhou a sua separação da ex Alessandra Negrini. As músicas são um reflexo claro desta circunstância - e a fossa do galego terminou se transformando em um catalizador maravilhoso de criatividade e sensibilidade.
Tem uma música que diz assim: "Quando eu perdi você/ganhei a aposta". Quer mais? Lá vai: "e até pra morrer/você tem que existir". Ui.
domingo, 7 de março de 2010
Fervendo
Ai, que calor. Nunca senti tanto calor como agora, nestas paragens recifences. Qualquer movimento, mínimo que seja, é motivo para suar em bicas. Ontem, no flamenco, 11h da manhã, parecia que a gente estava dançando em cima de brasa, a despeito da quentura que já é parte do repertório andaluz. Saía fumacinha dos nossos juízos gitanos.
O jeito é ficar parada. Imóvel. Estática. Sexta feira, peguei um táxi, correndo, pressa pra chegar ao trabalho. O carro do homem estava com o ar-condicionado quebrado. Desejei que ele tivesse uma dor de barriga histórica, por não ter me avisado a tempo. A viagem foi ruim. Terrível. Que calor do cão.
Estou suando agora, escrevendo este post. Vou parar, pra que o movimento dos meus dedos nas teclas não piore este calor fundamental que estou sentindo. Sorte a desse povo que mora em Vancouver. Inveja de quem participa das Olimpíadas de Inverno. E a inveja não é um bom sentimento.
O jeito é ficar parada. Imóvel. Estática. Sexta feira, peguei um táxi, correndo, pressa pra chegar ao trabalho. O carro do homem estava com o ar-condicionado quebrado. Desejei que ele tivesse uma dor de barriga histórica, por não ter me avisado a tempo. A viagem foi ruim. Terrível. Que calor do cão.
Estou suando agora, escrevendo este post. Vou parar, pra que o movimento dos meus dedos nas teclas não piore este calor fundamental que estou sentindo. Sorte a desse povo que mora em Vancouver. Inveja de quem participa das Olimpíadas de Inverno. E a inveja não é um bom sentimento.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Oh, céus
Mais uma das crianças, voltando da escola, no carro:
Júlia, a minha filha mais velha, 10 anos: "eu e as meninas lá da sala vamos criar um fã clube para o irmão de Gabriel. Ele é muito lindo!"
Alice, a pequena, 4 anos: "ele tem músculos?"
Ai, Jisus.
Júlia, a minha filha mais velha, 10 anos: "eu e as meninas lá da sala vamos criar um fã clube para o irmão de Gabriel. Ele é muito lindo!"
Alice, a pequena, 4 anos: "ele tem músculos?"
Ai, Jisus.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Tonada de Luna Llena
Yo vide una garza mora
Dándole combate a un rio
Así es como se enamora
Tú corazón con el mio
Luna, luna, luna, llena menguante
Luna, luna, luna, llena menguante...
Anda muchacho a la casa
Y me trae la carabina
Pa' mata este gavilán
Que no me deja gallina
La luna me está mirando
Yo no se lo que me ve
Yo tengo la ropa limpia
Ayer tarde la lavé
Luna, luna, luna, llena menguante
Luna, luna, luna, llena menguante...
Dándole combate a un rio
Así es como se enamora
Tú corazón con el mio
Luna, luna, luna, llena menguante
Luna, luna, luna, llena menguante...
Anda muchacho a la casa
Y me trae la carabina
Pa' mata este gavilán
Que no me deja gallina
La luna me está mirando
Yo no se lo que me ve
Yo tengo la ropa limpia
Ayer tarde la lavé
Luna, luna, luna, llena menguante
Luna, luna, luna, llena menguante...
segunda-feira, 1 de março de 2010
O homem e a menstruação
De vez em quando acho que estou grávida, e fico louca, porque já tenho filhos suficientes pra uma vida. Não há nenhum motivo concreto que justifique essa sensação. Os contraceptivos necessários, fazemos uso deles, mas mesmo assim... Sempre acho que o destino há de me pregar uma peça, e serei eu uma daquelas exceções que vai parar no Fantástico. Então, ao contrário de muitas mulheres, fico muito feliz em menstruar, acho uma maravilha.
Não que eu adore a menstruação em si, mas o alívio que ela traz. Não sinto dores nem desconforto, o que é ótimo. Meu marido, no entanto, age como se eu fosse morrer de hemorragia a qualquer momento. Ele diz: “está prevenida? Olhe, vai que você menstrua na hora da reunião...” Explico que não vou jorrar sangue, que não é bem assim, que o corpo avisa quando a coisa vai acontecer... Ele entende mais ou menos. Não é privilégio dele.
Uma vez, uma conhecida me contou que, na fila do consulado americano para tirar o visto, aquele estresse do cão, pediu ao guarda pra entrar e ele deixou – motivo: ela disse que tinha acabado de menstruar. Ele arregalou o olho e, diante do absoluto desconhecido, abriu a porta. Ela tirou o visto na frente dos coitados que estavam torrando ao sol na fila.
Está claro que os homens têm medo das mulheres menstruadas, por algum motivo que deve ser ancestral. E olhe que tudo hoje é muito menos misterioso do que já foi um dia, mas não adianta, o medo persiste. Só nos resta, pois, aproveitar a chance e furar umas filinhas de vez em quando.
Não que eu adore a menstruação em si, mas o alívio que ela traz. Não sinto dores nem desconforto, o que é ótimo. Meu marido, no entanto, age como se eu fosse morrer de hemorragia a qualquer momento. Ele diz: “está prevenida? Olhe, vai que você menstrua na hora da reunião...” Explico que não vou jorrar sangue, que não é bem assim, que o corpo avisa quando a coisa vai acontecer... Ele entende mais ou menos. Não é privilégio dele.
Uma vez, uma conhecida me contou que, na fila do consulado americano para tirar o visto, aquele estresse do cão, pediu ao guarda pra entrar e ele deixou – motivo: ela disse que tinha acabado de menstruar. Ele arregalou o olho e, diante do absoluto desconhecido, abriu a porta. Ela tirou o visto na frente dos coitados que estavam torrando ao sol na fila.
Está claro que os homens têm medo das mulheres menstruadas, por algum motivo que deve ser ancestral. E olhe que tudo hoje é muito menos misterioso do que já foi um dia, mas não adianta, o medo persiste. Só nos resta, pois, aproveitar a chance e furar umas filinhas de vez em quando.
Flamenco
Finalmente, depois de tanta espera, consegui achar uma professora de flamenco daquelas! A bichinha é baiana, e virada. A primeira aula aconteceu neste último sábado, e, como a turma já tem uma base, avançamos rápido, no ritmo bom de quem quer mais é chegar logo no destino.
Foram duas horas que passaram voando, e eu nem senti que o sol lá fora convidava a ir à praia...
Delícia.
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