domingo, 7 de março de 2010

Fervendo

Ai, que calor. Nunca senti tanto calor como agora, nestas paragens recifences. Qualquer movimento, mínimo que seja, é motivo para suar em bicas. Ontem, no flamenco, 11h da manhã, parecia que a gente estava dançando em cima de brasa, a despeito da quentura que já é parte do repertório andaluz. Saía fumacinha dos nossos juízos gitanos.

O jeito é ficar parada. Imóvel. Estática. Sexta feira, peguei um táxi, correndo, pressa pra chegar ao trabalho. O carro do homem estava com o ar-condicionado quebrado. Desejei que ele tivesse uma dor de barriga histórica, por não ter me avisado a tempo. A viagem foi ruim. Terrível. Que calor do cão.

Estou suando agora, escrevendo este post. Vou parar, pra que o movimento dos meus dedos nas teclas não piore este calor fundamental que estou sentindo. Sorte a desse povo que mora em Vancouver. Inveja de quem participa das Olimpíadas de Inverno. E a inveja não é um bom sentimento.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Oh, céus

Mais uma das crianças, voltando da escola, no carro:

Júlia, a minha filha mais velha, 10 anos: "eu e as meninas lá da sala vamos criar um fã clube para o irmão de Gabriel. Ele é muito lindo!"

Alice, a pequena, 4 anos: "ele tem músculos?"

Ai, Jisus.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tonada de Luna Llena

Yo vide una garza mora
Dándole combate a un rio
Así es como se enamora
Tú corazón con el mio

Luna, luna, luna, llena menguante
Luna, luna, luna, llena menguante...

Anda muchacho a la casa
Y me trae la carabina
Pa' mata este gavilán
Que no me deja gallina

La luna me está mirando
Yo no se lo que me ve
Yo tengo la ropa limpia
Ayer tarde la lavé

Luna, luna, luna, llena menguante
Luna, luna, luna, llena menguante...

segunda-feira, 1 de março de 2010

O homem e a menstruação

De vez em quando acho que estou grávida, e fico louca, porque já tenho filhos suficientes pra uma vida. Não há nenhum motivo concreto que justifique essa sensação. Os contraceptivos necessários, fazemos uso deles, mas mesmo assim... Sempre acho que o destino há de me pregar uma peça, e serei eu uma daquelas exceções que vai parar no Fantástico. Então, ao contrário de muitas mulheres, fico muito feliz em menstruar, acho uma maravilha.

Não que eu adore a menstruação em si, mas o alívio que ela traz. Não sinto dores nem desconforto, o que é ótimo. Meu marido, no entanto, age como se eu fosse morrer de hemorragia a qualquer momento. Ele diz: “está prevenida? Olhe, vai que você menstrua na hora da reunião...” Explico que não vou jorrar sangue, que não é bem assim, que o corpo avisa quando a coisa vai acontecer... Ele entende mais ou menos. Não é privilégio dele.

Uma vez, uma conhecida me contou que, na fila do consulado americano para tirar o visto, aquele estresse do cão, pediu ao guarda pra entrar e ele deixou – motivo: ela disse que tinha acabado de menstruar. Ele arregalou o olho e, diante do absoluto desconhecido, abriu a porta. Ela tirou o visto na frente dos coitados que estavam torrando ao sol na fila.

Está claro que os homens têm medo das mulheres menstruadas, por algum motivo que deve ser ancestral. E olhe que tudo hoje é muito menos misterioso do que já foi um dia, mas não adianta, o medo persiste. Só nos resta, pois, aproveitar a chance e furar umas filinhas de vez em quando.

Flamenco

Finalmente, depois de tanta espera, consegui achar uma professora de flamenco daquelas! A bichinha é baiana, e virada. A primeira aula aconteceu neste último sábado, e, como a turma já tem uma base, avançamos rápido, no ritmo bom de quem quer mais é chegar logo no destino. Foram duas horas que passaram voando, e eu nem senti que o sol lá fora convidava a ir à praia... Delícia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Diário

E não é que estou só na minha sala do trabalho, quiçá sozinha em todo o prédio da secretaria? Momento raro. Minhas filhas reclamam do meu horário estendido, e eu sei que elas têm razão, são muitos dias chegando tarde em casa... Prometo a mim mesma que será o último semestre com essa carga horária desumana. Fiz uma prova, ontem, para a qual não tinha me preparado especialmente. Talvez eu passe, e aí é que a coisa vai pegar, porque terei que descer do muro. Bom, mas ainda não passei, portanto, nada de contar com o ovo antes da hora. Não gosto de fazer isso e não faço, a decepção termina sendo sempre maior. Notícia boa: parece que surge no horizonte a possibilidade de voltar a fazer aulas (aulas mesmo) de flamenco. Aguardando o contato da professora para reincorporar à minha vida esse hábito que me faz tãããão bem. E esse post ficou com a maior cara de querido diário. Oh, céus.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fim do Mundo

Um professor colega, viciado em Discovery Chanel, chegou inconformado na sala dos professores da Faculdade: "Gente, é só até 2012!". Segundo ele, as profecias de Nostradamus, certeiras, vêm se confirmando ao longo dos tempos, e o fim do mundo é pra daqui a dois anos. Não adianta espernear. São dois anos, nêgo, pra tu fazer o que pretende nesse mundo em extinção. Corre, pessoa.

Se bem que, nestas circunstâncias, o melhor mesmo é planejar pouco. Adianta, sabendo que não vai dar tempo de concluir os projetos? Outra professora disse que iria "tocar o terror", seja lá o que isso signifique. Humanos que somos, ficamos pensando em fazer um monte de dívidas que não precisaremos pagar (supondo que temos o privilégio de saber que o mundo vai acabar antes de todos os outros), em viajar sem destino, em tomar todas, em viver de seguro desemprego, em pegar geral por aí.

Resumindo: a humanidade, do jeito que a conhecemos, só existe porque tem a perspectiva do amanhã, da culpa e do castigo. De outro modo, íamos morrer todos, antes dos 20, de doenças venéreas ou do fígado, afogados na irresponsabilidade cotidiana. Ô, miséria.