segunda-feira, 1 de março de 2010

O homem e a menstruação

De vez em quando acho que estou grávida, e fico louca, porque já tenho filhos suficientes pra uma vida. Não há nenhum motivo concreto que justifique essa sensação. Os contraceptivos necessários, fazemos uso deles, mas mesmo assim... Sempre acho que o destino há de me pregar uma peça, e serei eu uma daquelas exceções que vai parar no Fantástico. Então, ao contrário de muitas mulheres, fico muito feliz em menstruar, acho uma maravilha.

Não que eu adore a menstruação em si, mas o alívio que ela traz. Não sinto dores nem desconforto, o que é ótimo. Meu marido, no entanto, age como se eu fosse morrer de hemorragia a qualquer momento. Ele diz: “está prevenida? Olhe, vai que você menstrua na hora da reunião...” Explico que não vou jorrar sangue, que não é bem assim, que o corpo avisa quando a coisa vai acontecer... Ele entende mais ou menos. Não é privilégio dele.

Uma vez, uma conhecida me contou que, na fila do consulado americano para tirar o visto, aquele estresse do cão, pediu ao guarda pra entrar e ele deixou – motivo: ela disse que tinha acabado de menstruar. Ele arregalou o olho e, diante do absoluto desconhecido, abriu a porta. Ela tirou o visto na frente dos coitados que estavam torrando ao sol na fila.

Está claro que os homens têm medo das mulheres menstruadas, por algum motivo que deve ser ancestral. E olhe que tudo hoje é muito menos misterioso do que já foi um dia, mas não adianta, o medo persiste. Só nos resta, pois, aproveitar a chance e furar umas filinhas de vez em quando.

Flamenco

Finalmente, depois de tanta espera, consegui achar uma professora de flamenco daquelas! A bichinha é baiana, e virada. A primeira aula aconteceu neste último sábado, e, como a turma já tem uma base, avançamos rápido, no ritmo bom de quem quer mais é chegar logo no destino. Foram duas horas que passaram voando, e eu nem senti que o sol lá fora convidava a ir à praia... Delícia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Diário

E não é que estou só na minha sala do trabalho, quiçá sozinha em todo o prédio da secretaria? Momento raro. Minhas filhas reclamam do meu horário estendido, e eu sei que elas têm razão, são muitos dias chegando tarde em casa... Prometo a mim mesma que será o último semestre com essa carga horária desumana. Fiz uma prova, ontem, para a qual não tinha me preparado especialmente. Talvez eu passe, e aí é que a coisa vai pegar, porque terei que descer do muro. Bom, mas ainda não passei, portanto, nada de contar com o ovo antes da hora. Não gosto de fazer isso e não faço, a decepção termina sendo sempre maior. Notícia boa: parece que surge no horizonte a possibilidade de voltar a fazer aulas (aulas mesmo) de flamenco. Aguardando o contato da professora para reincorporar à minha vida esse hábito que me faz tãããão bem. E esse post ficou com a maior cara de querido diário. Oh, céus.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fim do Mundo

Um professor colega, viciado em Discovery Chanel, chegou inconformado na sala dos professores da Faculdade: "Gente, é só até 2012!". Segundo ele, as profecias de Nostradamus, certeiras, vêm se confirmando ao longo dos tempos, e o fim do mundo é pra daqui a dois anos. Não adianta espernear. São dois anos, nêgo, pra tu fazer o que pretende nesse mundo em extinção. Corre, pessoa.

Se bem que, nestas circunstâncias, o melhor mesmo é planejar pouco. Adianta, sabendo que não vai dar tempo de concluir os projetos? Outra professora disse que iria "tocar o terror", seja lá o que isso signifique. Humanos que somos, ficamos pensando em fazer um monte de dívidas que não precisaremos pagar (supondo que temos o privilégio de saber que o mundo vai acabar antes de todos os outros), em viajar sem destino, em tomar todas, em viver de seguro desemprego, em pegar geral por aí.

Resumindo: a humanidade, do jeito que a conhecemos, só existe porque tem a perspectiva do amanhã, da culpa e do castigo. De outro modo, íamos morrer todos, antes dos 20, de doenças venéreas ou do fígado, afogados na irresponsabilidade cotidiana. Ô, miséria.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval - parte 2

Apesar da saga na volta pra casa, o sábado de Zé Pereira não causou trauma. Foi uma pauleira, mas valeu. No domingo, o Recife Antigo parecia um palco, lotado, por todos os lugares, de blocos, troças, música em todas as esquinas. Aquela história que um dia já houve no carnaval da gente, de ficar parado, no silêncio e na muvuca, esperando que alguma orquestra se dignasse a enfrentar a multidão, há alguns anos não acontece mais - que ótimo. Se tem uma coisa na vida que essa prefeitura (e a anterior) sabe fazer é carnaval.

Assim que chegamos, fomos à rua da Moeda, minha casa de todos os dias, que nos recebeu com a orquestra que tocava para o Caranguejo no Caçuá. Passamos por todos os recantos, do Recbeat ao Marco Zero, e tudo estava lindo. Só ficou parado quem quis, e quem quis pôde, sim, sentar numa mesa e ver a vida passar, sem agonia.

Na segunda, o sagrado encontro no Amantes de Glória. Todos os amigos, parentes, conhecidos - brodagem, como diz Juliana. Gente pra chuchu, dessa vez o Amantes não entrou na rua do Bom Jesus, uma atitude deveras sábia. Estavam lá Alex e Tati, Sued, Ju e André, Tia Nilza, Tio Beto e Helena, Pedroca e Fernandinha, Fábio e Marcela, Gileno, Carol, Dani e Kenedy, Fabiana, Dani Lacerda, e mais e mais gente do bem. Saímos ao som do hino - "a flecha de Glória flechou"... Como sempre, ótimo.

Depois da dispersão de Glória, tentamos o samba da rua da Moeda, que estava sofrível, o povo não se entendia. Circulamos, circulamos, cansamos, esperamos. No Recbeat, eu queria ver a Ojos de Brujo, que diziam que faria um flamenco pop legal. Meia boca, o tal grupo espanhol, apesar de divertidinho. Me pareceu que eles escolheram um repertório só com rumbas por causa do carnaval, sei lá. Faltou flamenco, sobrou uma coisa meio Cubanakan. Bom. Não deu pra esperar Céu, ficou pra outra vez.

No táxi, já sabendo que the girls me iriam ser devolvidas no dia seguinte, aproveitei pra ficar cansada. E fiquei cansada mesmo, de verdade. Na terça, vi o carnaval pela TV, em casa. Vi Spock falando com Roger sobre o documentário que ele está fazendo com sete grandes mestres do frevo pernambucano, segundo ele o "Buena Vista" daqui do Recife. "Choro todo dia", ele falou, e sei que não foi força de expressão. Vi, pela Band, na Bahia, um trio com Daniela Mercury e Margareth Menezes cantando "liberdade ao povo do pelô", com aquele batuque afro precioso, e senti pena dessa turma que não comeu e não gostou. Salvador é Brasil, galera. E pense numa gente pra entender de percussão - "branco se você soubesse/o valor que preto tem/tu tomava banho de piche/ficava pretinho, pretinho também". Lindo.

Dia desses, estava comentando como é difícil pra mim viver certas paixões, geralmente racionalizo demais - esporte nenhum me empolga, não consigo me escandalizar com nada, não sou fã (admiro muito muita gente, mas não me vejo pedindo autógrafos a ninguém). O carnaval, no entanto, é diferente. Fico muito emocionada vendo aquilo tudo acontecer ao mesmo tempo, tanta gente simples que se transforma em artista, reis e rainhas em cada esquina que a gente vira. Fevereiro tem o dom de recarregar as energias para o ano que chega, tão cheio de obrigações e responsabilidades.

É incrível como o ser humano pode valer tanto a pena, quando quer. Eita, festa bonita que a gente sabe fazer! Orgulho...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carnaval - parte 1

Começou na quinta-feira, 11. Depois do expediente, encontrei com Marcela no bloco do TJ, ainda inconformada (eu) porque iria dar aula às 20h30. Quando a orquestra começou a tocar, de fato, tive que ir embora. Qual a minha surpresa quando cheguei na faculdade e vi que a sala estava repleta! No meu tempo não era assim, não. Tive que vestir a máscara da professora e fiquei com os meninos até 21h45. Fui pro Central, depois, de táxi e, em seguida, pra praça do Arsenal. Havia tantos blocos que ninguém conseguia mais discernir quem era quem, uma confusão só. Fomos embora com Marcela e Eduardo, mais ou menos à meia noite.

Na sexta, me arrumei toda pro Foco, o bloco da Seplag. Apesar da orquestra não ser lá esses meio quilo todo, foi tudo muito divertido. Gente amiga, o chefe numa animação só, o Recife calmo, parecia que era só nosso... Tudo de bom. Nos divertimos como se fosse Spock que estivesse regendo os músicos, com direito à performance de bailarino de Edilberto, já clássica nas festas seplaguianas. Depois, saímos, eu, Anna, Dani, Carla, Alex, Edilberto (o passista), Clero, Victor, Elton e Rodrigo pro mercado da Boa Vista. Estava lotado, e o Lili começou a cantar umas 17h. Por causa das meninas, tivemos que ir embora logo, umas 18h. Mainha as levou pra Gravatá.

Sábado, primeiro dia de folia oficial. Saímos com Tio Beto e Helena pro Panela de Pressão,concentração na Rua do Bonfim, Olinda. A gente chegou 9h30, e o bloco estava se preparando pra sair - dessa vez, a orquestra arrasou, uma afinação daquelas. Olinda ainda estava tranqüila, com a multidão toda no Galo, e a gente fez um percurso muito do bom pra quem gosta mesmo de brincar. 13h, a orquestra foi embora sob aplausos na Praça do Carmo, e fomos almoçar. Tio Beto e Helena resolveram voltar e a gente ficou pra ver a saída do Acho é Pouco. Na Sé, esperamos o sol baixar na casa dos bonecos gigantes, um lugar que é um oásis pra quem quer recuperar as energias.

Pra chegar na concentração do Acho..., uma confusão, já. Milhões de pessoas na Rua do Bonfim, aquela pegação e nada de carnaval. Só Elton mesmo pra dizer que essa rua presta, Deus me livre. O cão. Finalmente, chegamos na frente do Mosteiro de São Bento, mas tinha tanta gente que uma orquestra só não deu conta e achei que não valeu tanto a pena esperar pelo bloco. Principalmente, porque, na hora de ir embora... Cadê táxi? Andamos quilômetros, literalmente, da cidade alta até o Tacaruna. Eu, que já tinha pulado tudo na sexta e no próprio sábado, mais cedo, estava exausta, sem condições de dar mais um passo. Mas tive que andar, não havia opção.

Chegando no shopping, não tinha táxi, também, nem praça da alimentação aberta. Tivemos que pegar um ônibus até a av. Mário Melo, depois outro que, aleluia, nos deixou na porta de casa. Foram duas horas de périplo até conseguir chegar. Eu já estava um tanto mal-humoradinha, mas comi na padaria e melhorei. No fim das contas, valeu a pena - o Panela, mais uma vez, deu show. E o Foco, então? Como bem disse Alex Gabriel, o Galo começou assim. Depois conto mais, que hoje ainda é domingo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Aurora de Amor

Meu Recife eu te lembro
De Aurora à janela
Debruçada tão bela
Sobre o Capibaribe
O seu rio namorado
E a sorrir flamboyants
Em vermelhos rendados
E se amando no espelho
Sob o sol das manhãs!

E nessa lembrança
A vida era linda!
E a gente ainda, seria criança

Eu Imperador, você Imperatriz!
E na fantasia a gente sorria feliz

Nessa aurora de amor
E o tempo passou
E a gente cresceu
E o sonho acabou
E a gente se perdeu ...

Mas quem sabe se agora neste carnaval
Você Colombina e eu Pierrô
A gente se encontre ainda
Quem sabe num bloco de amor
Chamado saudade